5G avança enquanto custos devem chegar a US$ 600 bilhões
Estudo da GSMA aponta chegada da tecnologia a grandes mercados emergentes, como o do Brasil, como oportunidade para tornar dispositivos mais acessíveis e ampliar adesão
Estudo da GSMA aponta chegada da tecnologia a grandes mercados emergentes, como o do Brasil, como oportunidade para tornar dispositivos mais acessíveis e ampliar adesão
Taís Farias
28 de fevereiro de 2022 - 9h40

Enquanto a 5G avança ao redor do mundo, as operadoras de telefonia móvel terão que enfrentar uma demanda de mais de US$ 600 bilhões de investimentos em máquinas, equipamentos e imóveis, em todo o mundo, até 2025. 85% destes custos operacionais, ou capex, serão alocados nas redes 5G. Os dados são fruto do relatório Mobile Economy 2022, da GSMA, organizadora do Mobile World Congress.
Os investimentos na tecnologia de quinta geração têm gerado frutos. Até o final deste ano, o 5G deve chegar a um bilhão de conexões. Ao ampliar o cenário até o final de 2025, o 5G deverá responder por cerca de um quarto do total de conexões móveis e mais de duas em cada cinco pessoas estarão vivendo ao alcance de uma rede de quinta geração. O relatório sugere alguns fatores que teriam impulsionado o avanço da 5G. Entre eles, estão a recuperação econômica depois da fase mais crítica da Covid-19, o aumento das vendas de aparelhos 5G, a expansão de cobertura da rede e os esforços de marketing das operadoras móveis.
O Brasil também teve destaque no relatório da organizadora do Mobile World Congress. Isso porque a companhia acredita que a nova onda de lançamentos da rede 5G em grandes mercados emergentes, como o Brasil, Indonésia e Índia, pode impulsionar a produção em massa de dispositivos 5G mais acessíveis e aumentar a adesão. Mas, para isso, será necessário investimento por parte das operadoras e apoio dos governos. De acordo com o estudo, em 2021, os serviços e tecnologias móveis geraram globalmente US$ 4,5 trilhões em valor econômico agregado. Isso representa 5% do produto interno bruto mundial. Até 2025, a expectativa é que esse número cresça mais de US$ 400 bilhões, chegando a US$ 5 trilhões.
Indústria móvel na América Latina
A instituição também apresentou recortes regionais do estudo. Na América Latina, segundo a GSMA, a indústria móvel continua exercendo um papel crucial no contexto da pandemia da Covid-19, auxiliando na educação, saúde e trabalho remoto. Como reflexo desse movimento, o tráfego de dados móveis atingirá níveis recordes. O estudo estima que as conexões via smartphone atingiram a marca de 500 milhões em 2021, o que representa uma taxa de adesão de 74% na região. Esse número deve chegar a 80% nos próximos quatro anos, com um ganho de pelo menos 100 milhões de acessos. O avanço dos smartphones, consequentemente, levará a um crescimento dos serviços digitais. O estudo revelou que, já em 2020, os serviços móveis e a tecnologia representaram 7,1% do PIB na América Latina.
No entanto, de acordo com o The Mobile Economy 2022, o 4G continuará sendo a base da indústria móvel nos próximos anos na América Latina, com cerca de 70% do total das conexões até o final de 2025. Já a 5G representará 12% das conexões na região. Nesse período, a contribuição econômica da América Latina para o ecossistema móvel deve crescer para mais de US$ 30 bilhões, à medida que os países da região estão se beneficiando com as melhorias na produtividade e eficiência trazidas pela digitalização.
Veja também