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A muralha expandida da China

O país deve liderar o mercado de redes 5G e é por isso que Donald Trump tenta frear players como a Huawei

Sergio Damasceno Silva
28 de fevereiro de 2019 - 22h52

O maior estande do Mobile World Congress (MWC) deste ano era da Huawei: apenas o principal tomava todo o fundo do pavilhão 1, com mais de seis mil metros quadrados. No todo, foram quatro estandes distribuídos entre os diversos espaços da Fira Gran Via. Essa magnitude serve a um propósito: mostrar que a China, e suas empresas móveis como a Huawei, ZTE, Oppo, OnePlus, Xiaomi, Royole e Nubia (também uma marca da ZTE), estão na disputa global com os Estados Unidos para ver quem sai na pole-position da 5G.

A grande muralha que parecia o estande 1 da Huawei era isso mesmo: uma demonstração de força para indicar que está nesta briga de quase US$ 3 trilhões. Contra a China e suas empresas de redes e telefonia móvel estão tanto os Estados Unidos quanto a Europa. Americanos e europeus, teoricamente, não têm pressa de avançar para a 5G por vários motivos. Para os Estados Unidos, cuja economia digital está baseada na 4G, geração a qual liderou em todo o mundo, quando da mudança da 3G para 4G, fez com que centenas de startups baseadas na mobilidade se desenvolvessem. Há quem defenda, inclusive, que se não fosse pela liderança americana sobre a 4G (que, por ora, cobre praticamente o mundo todo), empresas puramente digitais, baseadas em celulares, como Snapchat, Instagram, Facebook e Netflix poderiam não ter chegado onde estão. Esses players nasceram da indústria de aplicativos, que, por sua vez, se consolidou com as redes de maior velocidade.

Agora, o temor é que os chineses assumam a liderança da 5G e por isso o governo de Donald Trump tem batalhado midiaticamente contra a Huawei, inclusive com a prisão da diretora financeira da empresa, Meng Wanzhou (que foi solta após pagar fiança). Meng é filha do fundador da Huawei, Ren Zhengfei.

Com o histórico do domínio americano sobre a 4G e as consequências disso para a economia digital global, americanos e chineses se lançaram numa corrida para ver quem adota primeiramente a 5G. E com quais empresas e padrões, que é o que importa. Os Estados Unidos simplesmente proibiram Huawei e ZTE de participar da atualização das operadoras norte-americanas. O que influenciou na decisão equivalente da Austrália e Índia, que também desprezaram as empresas chinesas.

Os beneficiados por essa disputa, por ora, são Ericsson, Nokia e Samsung, também fornecedoras de equipamentos de redes e concorrentes da Huawei e ZTE.

Para a China, claro que é um round perdido no ringue global de telefonia móvel. Mas duas das maiores operadoras chinesas, a China Unicom e a China Telecom têm, cada uma, cerca de 400 milhões de clientes e o governo tenta fazer uma fusão entre ambas para que deem escala para fabricantes como Huawei e ZTE. Por sua vez, a maior operação móvel do país, a China Mobile, com 900 milhões de clientes, deve tocar por si só a entrada na 5G.

No meio dos dois tigres, o americano e o chinês, está a Europa, cujas operações fragmentadas não justificam, isoladamente, brigas por posições de liderança tecnológica. O continente, por ora, não tem tanta pressa, com raras exceções, na adoção da 5G e passa ao largo da briga de cachorro grande entre China e Estados Unidos.

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