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IoB: como o consumidor mudou no digital com a pandemia

A internet of behavior (IoB), ou o comportamento do usuário na internet, nesses 18 meses de Covid-19, pode afetar positivamente a forma como as empresas interagem com as pessoas

Sergio Damasceno Silva
30 de junho de 2021 - 13h33

A pandemia global mudou o comportamento do usuário em casa e no local de trabalho, seja através do uso de mídia social, compras online ou até mesmo como se pede comida e se compra mantimentos. A coleta e combinação de dados de diferentes fontes fornece oportunidades de negócios e casos de uso em áreas como monitoramento e telemática da Covid-19. O uso de dados para alterar ou influenciar comportamentos levanta questões éticas importantes, mas, conforme a sofisticação dos dados melhora, a internet of behavior (IoB), ou internet do comportamento, pode afetar positivamente a forma como as empresas interagem com as pessoas. Como a pandemia global muda comportamentos e expectativas em casa e no local de trabalho? E quais foram as oportunidades que surgiram, especialmente para a tecnologia, para causar impacto mais real e tangível por meio de escala e adoção significativas? Para responder essas questões e traçar o cenário do que é a IoB, o Mobile World Congress (MWC) juntou em debate porta-vozes como o principal, digital strategy & solutions leader da KPMG, Martin Sokalski, que mediou o encontro virtual, a vice-presidente de IoT Group, GM health, life sciences & emerging Technologies da Intel, Stacey Shulman, e o vice-presidente de estratégia e desenvolvimento de negócios emergentes da Lenovo, Jon Pershke.

“Vamos começar com a Covid-19 e nossas experiências coletivas nos últimos 18 meses. Tendo a quebrar a experiência em três fases: resiliência, recuperação e a nova realidade”, disse o principal, digital strategy & solutions leader da KPMG, Martin Sokalski, ao abrir o debate. “Aprendemos que precisamos de ajuda para ver através dos obstáculos. Precisávamos de melhor acesso aos dados e informações e aos principais serviços enquanto lutávamos pelo essencial. Também aprendemos que precisamos construir novos espaços digitais e reimaginar a interação humana. Isso vale para alguns dos meus principais aprendizados e lições dos últimos 18 meses, nos quais a tecnologia digital e a conectividade realmente desempenharam papel fundamental. Quais foram os grandes aprendizados nessa perspectiva?”, questiona.

Para Sokalski, a tecnologia permitiu mudança real na forma como se trabalha e aconteceu especialmente no local de trabalho. O papel da casa muda ao ser um lugar que se dormia por um breve período no fim do dia para que, de repente, a casa assuma um papel totalmente novo, que está 180 graus na direção oposta das tendências preconcebidas antes da pandemia. “Tenho o desafio de conseguir ajuda para manter essa nova complexidade em minha casa. É claro que, se você tem família, está acrescentando toda essa nova importância ao papel que o lar desempenha na criação da família. O que você acha que isso significa para a economia e a indústria?”, pergunta o executivo.

Economia digital
Uma das consequências é o desenvolvimento acelerado da economia digital. “Ter impacto positivo no comportamento por meio da tecnologia é fundamental para a maneira como pensamos sobre o negócio e tecnologia mais inteligente. Habilitamos a IoB de diferentes maneiras, como soluções virtuais de saúde, realidade virtual (VR) e edge computing”, explica o

O vice-presidente de estratégia e desenvolvimento de negócios emergentes da Lenovo, Jon Pershke. “Escolhi esses exemplos porque cada iniciativa afeta um grupo diferente de pessoas. Na área da saúde, estamos influenciando o comportamento dos pacientes de forma positiva. As soluções virtuais de saúde virtuais são a tecnologia que pode ter um grande impacto. Os cuidados de saúde são, provavelmente, o melhor exemplo de IoB. Ninguém questionaria os benefícios que temos ao atacar as condições crônicas como hipertensão, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) etc. Até 60% dos adultos (em escala global) têm uma ou mais dessas condições crônicas, o que representa 75% dos gastos com saúde. Trabalhamos através das empresas de saúde para prescrever a uma criança dispositivos de monitoramento simples e inteligentes e um assistente digital de saúde com display digital ou tablet. Os profissionais de saúde podem monitorar a saúde do paciente em tempo real, em vez de prescrever visita mensal ou trimestral aos consultórios. Isso faz com que se impulsione mudanças comportamentais para se produzir os melhores resultados com tratamento simples”, exemplifica.

Pershke argumenta que melhorias de comportamento, como educação, medicação regularmente, seguir instruções de cuidados, dieta e exercícios podem ter grande benefício para os funcionários/pacientes, bem como para os sistemas de saúde, já bastante debilitados. “A realidade aumentada (AR) e a VR permitem, em alguns casos de uso, muito benefícios ao fornecer assistente sem mãos para tarefas visuais complexas em nível mais amplo. Esperamos que haja escassez de mão de obra qualificada à medida que a geração baby boomer seja substituída, no trabalho, pelos millenials e geração Z. São eles os nativos digitais que podem alavancar essas tecnologias no trabalho”, afirma. Pershke recorda que, antes, os especialistas tinham que ir até a fábrica de determinada empresa para resolver problemas porque os trabalhadores locais não tinham todas as habilidades. “Podemos influenciar o comportamento do trabalhador de várias maneiras. Com a VR, podemos fornecer treinamento muito melhor, realista e envolvente para os funcionários, com conteúdo desenvolvido pelo maior especialista do mundo, sem ter que viajar. Já foi demonstrado que isso gera maior eficiência de aprendizagem do que os métodos tradicionais. Se esses trabalhadores precisarem de assistência em tempo real na fábrica, podem baixar aplicativos de especialistas que permitem que esses especialistas estejam online, olhando por cima do ombro virtual dos trabalhadores para ajudá-los a consertar a ferramenta.”

A adoção de egde computing tem sido explorada com insistência nesta edição do MWC. O conceito de borda, simplesmente, prevê que os dispositivos de computação não estarão apenas nos bolsos ou mesas das pessoas (celulares e computadores), mas em todos os lugares, tomando decisões em tempo real com base no ambiente local e, muitas vezes, usando inteligência artificial. “Quando olhamos para todas as possibilidades de internet das coisas (IoT) e internet of behavior (IoB), isso, provavelmente terá o maior impacto em nossa vida diária. Hoje, cerca de 10% dos dados gerados pelas empresas são processados ​​no edge computing. O Gartner prevê que esse número crescerá para mais de 75% até 2025. Fizemos nosso próprio estudo sobre isso e 82% dos executivos afirmaram que as soluções de ponta estão causando o maior impacto em seus negócios”, indica o vice-presidente da Lenovo.

“Estamos em um momento muito transformador com essa convergência no amadurecimento de muitas dessas tecnologias combinadas com a necessidade de mudança. Alguns anos atrás, essa mudança foi feita com o objetivo de gerar maior eficiência. Agora, durante e depois da pandemia, muitas empresas reconhecem que é a chave para a sobrevivência. A necessidade de transformação inteligente foi acelerada por anos”, afirma.

O que vimos com a Covid-19 foi a grande absorção de tecnologia, concorda a vice-presidente de IoT Group, GM health, life sciences & emerging Technologies da Intel, Stacey Shulman. “Fizemos um estudo na Intel em 2018 com hospitais sobre a adoção de inteligência artificial e os números eram bem baixos, abaixo de 40%. Fizemos novamente no ano passado e os números eram um pouco maiores, mas ainda estavam baixos. Apenas alguns meses depois, ao fazer a pergunta de novo, já com o ambiente da Covid019, esses números saltaram para mais de 80%. O que os hospitais e instituições médicas estão olhando em termos de inteligência artificial é outra forma mais adequada de pensar sobre isso, sobre adicionar esse nível de automação nos processos diários para auxiliar o médico ou qualquer pessoa que está olhando para esses dados. É a adoção do que chamamos transformação digital no setor de saúde. E isso foi ajudado por mudanças regulatórias nos EUA. A Covid-19 fez com que o governo removesse, temporariamente, os obstáculos e, agora, procura fazer isso como solução de longo prazo”, diz Stacey.

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