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IA começa a gerenciar indústrias em larga escala

Inteligência artificial tem sido cada vez mais usada para administrar a massa de dados das operadoras, instituições financeiras e companhias de controle de tráfego para acompanhar a complexidade e rapidez com que a tecnologia evolui

Sergio Damasceno Silva
28 de fevereiro de 2018 - 15h19

Sem grande alarde, a inteligência artificial (IA) é o segmento que mais se desenvolveu da edição do ano passado do Mobile World Congress (MWC) para a de 2018. A IA precisa desse desenvolvimento porque as redes móveis ficam mais complexas, processam mais dados, e, obviamente, ficarão ainda mais sobrecarregadas na medida em que os bilhões de dispositivos conectados da internet das coisas (IoT) for adicionado e precisar ser tratado por essas redes. Juntamente com os assistentes pessoais, a IA dominou alguns debates e mostra que, no mundo móvel, as diferentes tecnologias e processos caminham independentes uns dos outros.

No caso, a IA caminha à parte das redes de quinta geração (5G) porque independe da infraestrutura de redes e, principalmente, porque, dada a complexidade do big data que as teles têm de administrar, é necessário fazer implantações de IA cada vez mais rápido.

“Há duas maneiras de se fazer as coisas: economizando ou gastando dinheiro. A tomada de decisão sobre tecnologia pode ser demorada e difícil, mas a inteligência artificial significa qualidade de rede, rapidez e redução de custos à medida que a arquitetura se torna mais complexa”, aponta a executiva de redes da Telia Company, Gabriela Styf Sjöman.

(Crédito: iStock/Chombosan)

“Entendemos que IA não é só uma promessa, e sim uma realidade para o setor bancário. A IA provê vantagem competitiva, tanto para os clientes quanto para os funcionários. Há um crescimento (com a IA) da eficiência do back-office, dos call centers. Temos um time aqui em Barcelona que trabalha com a IA da IBM, por exemplo”, diz o CIO da Caixabank, Pere Nebot Jose. A Caixabank tem mais de 5,3 mil agências, 37 mil funcionários e quase 16 milhões de clientes. O banco, segundo Nebot Jose, trabalha com assistentes virtuais para cuidar do portfólio dos clientes, para fazer recomendações de investimento e em toda a interatividade do correntista com a Caixabank.

Na Telefónica, Angela Shen-Hsieh é diretora da área de predição de comportamento humano, que passa a ser uma unidade realmente aspiracional, diz a executiva. “É uma área que concentra inovações, é incubadora, faz desenvolvimento de novos produtos e usa, principalmente, machine learning para trabalhar os dados e ativos. Um dos grandes problemas é a quantidade de projetos existentes. Temos que construir aprendizados. Precisamos nos comprometer porque o tempo para aprender e o processo de desenvolvimento de projetos de IA é diferente porque a tecnologia é sobre aprender dados. É nosso trabalho achar os problemas do negócio, implantar IA em web sites, call centers etc.”, explica a executiva.

Na China, a companhia de controle do tráfego da cidade de Hangzhou, com 11 milhões de habitantes, usa IA para sincronizar todo o trânsito em tempo real, afirma o chief data scientist do Alibaba Cloud (do grupo de mesmo nome), Wanli Min. “Por muitos anos, a IA foi disruptiva. Agora, é realidade. No Alibaba, temos as mesmas questões em relação aos dados. Para nós, negócios estão em primeiro lugar e tecnologia em segundo”, afirma Min. O que o scientist data do Alibaba quer dizer é que o core não é a tecnologia, e sim o negócio em sim, e que não faz sentido não adotar a IA para gerenciar a tecnologia. “Acreditamos na democratização da IA. É uma aceleração para a China. A nova geração tem fome por inovação. Para eles, não faz diferença se você é grande ou não, e sim se responde de forma rápida”, diz o executivo do Alibaba.

Com mais de US$ 5 bilhões de investimento nos dois últimos anos, a inteligência artificial está posicionada para ter um efetivo poder de transformação sobre o consumidor, empresas e governos. Os grandes players que a conduzem, como IBM, Salesforce, SAP, operadoras globais e fabricantes da indústria de telecomunicações, mostram que a IA tem potencial para democratizar o custo dos serviços, elevar a qualidade para o cliente e melhorar a produtividade da força de vendas.

No momento em que a IA domina alguns debates no MWC e mostra que já evoluiu muito de um ano para cá, algumas questões, no entanto, levantadas durante os debates sobre o tema, permanecem sem respostas: o que ocorrerá com a privacidade quando a IA rastrear qualquer coisa possível? Quando a automação acaba e a IA toma conta de tudo e qual é a diferença entre um conceito e outro? Quais são as implicações para a saúde mental da sociedade quando estiver completamente imersa na IA? A inteligência artificial caminhou muito, mas, por ora, não está capacitada para responder a tais questões.

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