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Consumer Privacy: um assunto mal endereçado 

Inteligência artificial e redes neurais estão na mira da MWC


1 de março de 2017 - 13h51

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Julian Ranger

Um dos temas principais da MWC é inteligência artificial e redes neurais – finalmente com ferramentas disponíveis para aplicações em todas as áreas: da saúde à publicidade.

Com a tecnologia disponível, uma das principais questões que as diversas possibilidades levanta é o direito à privacidade.

Por exemplo: se sua SmartTV consegue escutar e interpretar os diálogos que você conversa com sua família na sala, você pode ser impactado por propaganda sobre isso na sua rede social, ou mesmo em um painel rotativo no ponto de ônibus? Qual o limite da coleta e uso da informação?

Seu seguro saúde deve ter preço balizado dependendo da qualidade das suas compras no supermercado, nível de atividade física ou velocidade na qual dirige? A tecnologia para tudo isso existe: linguagem natural, reconhecimento facial, só não está – hoje – conectada.

Beacons em prateleiras do supermercado, geofencing que avisa quando seu cliente está na loja da concorrência, reconhecimento facial ao entrar em uma loja ou mesmo olhar um painel: esse mundo vai impactar nossa vida na comunicação.

E quem deve pedir autorização sobre o uso de dados? O fabricante da SmartTV, a empresa de reconhecimento fácil, o painel de mídia programática OOH no ponto de ônibus, o supermercado, a operadora de telefonia celular?

Por isso que um dos painéis que mais me interessou era exatamente sobre isso: Consumer Privacy e oportunidades. Se os dados são tão valiosos, por quem podem ser usados, e com que nível de controle?

Esse assunto foi discutido no painel com novas tecnologias e operadoras de telefonia: Jon Fisse da Atomite, Rimma Peremulter / CEO do Mobile Ecosystem Forum, Julian Ranger Chariman e Founder da Digi.me e Ludovic Levy VP da Orange hoje.

Entre as – poucas – soluções, a Atomite propõe uma plataforma para segurança e “aluguel” dos dados, licenciada pela operadora de telefonia celular.

Apesar do vídeo bonitinho, a solução é bem rasa. A operadora pergunta para seus usuários quais dados está disposto a disponibilizar, seja renda, sexo, ou interesses, e quais tipos de propaganda quer receber, seja em mídia social, e-mail ou retargetting.  O sistema de recompensa ao usuário é um sistema de “milhagem” comum, trocando acesso aos seus dados por uma mochila ou necessaire, por exemplo.

A outra empresa apresentando privacidade para dados era a digi.me. A diferença da primeira é o benefício: eles pretendem entregar ferramentas ao usuário na análise dos seus dados, como checar sua saúde bancária através de uma ferramenta mais simples e visual.

Ambas plataformas começam com um princípio interessante: o controle da privacidade de volta aos usuários. Porém as soluções são rasas: integram apenas uma pequena parte de toda informação que alguém pode ter (ou seja, as que passam pela operadora de telefonia ou por um varejo, por exemplo).

Além disso eles pedem que o usuário decida as ações dispostos a receber: mas duvido que minha mãe saberia o que está assinando ao selecionar “retargetting”. Por último, e o mais importante, nenhuma das plataformas resolvem o problema central: o benefício ao usuário.

As pessoas trocam sua privacidade quando o que você recebe por ela é mais relevante e conveniente. As pessoas abrem mão de seus dados se forem usados para estarem mais seguras, mais saudáveis, receberem informações mais importantes para sua vida. A era de entregar um necessaire ficou para trás.

O aprendizado da sessão é que, como em muitos outros assuntos, a tecnologia avança mais rápido que conseguimos discutir – e principalmente – regulamentar questões éticas, principalmente em escala global.

E a conversa sobre privacidade, só está começando.

 

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