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1 de março de 2018 - 12h41

Faz algum tempo que no mundo dos negócios se utiliza do termo da biologia para representar a relação entre empresas, seus fornecedores, clientes etc., ou simplesmente a relação entre participantes de uma cadeia de valor que podem incluir dispositivos, serviços, facilidades entre outras.

Animojis da Disney no Samsung S9(crédito: divulgação)

Caminhando pelos estandes do Mobile World Congress 2018 é fácil enxergar lançamentos, novos smartphones com maiores capacidades tecnológicas, processadores mais rápidos, maior memória, câmera melhor, sensor disso, sensor daquilo. A Huawei lançou o Mate10Pro, a LG o V30s, a HMD (Nokia) uma linha nova e um repaginado 8110 (Banana phone), a Samsung o S9 e diversas outras empresas (que eu nunca tinha ouvido falar) expondo seus smartphones com o sistema operacional Android.

Mas e o ecossistema?

Trabalhando com mobile faz mais de 17 anos tenho visto que, cada vez mais, a especificação técnica não é o fator primordial na decisão de compra de um smartphone. E com a chegada do 5G (maiores velocidades com baixa latência), essa tendência tende a crescer exponencialmente. Ou seja, ter um excelente hardware só será uma parte da equação. Empresas que se utilizam do Android como sistema operacional, em grande parte, tem se utilizado do ecossistema do Google para entregar valor aos seus clientes (email, mapas, apps, música, vídeos, etc.). Mas se todos os hardwares usam Google, qual o diferencial de cada um? Um processador mais veloz? Uma câmera melhor?
Será que isso será suficiente?

A grande batalha que vejo acontecendo atualmente é a criação de ecossistemas complementares ao já criado e predominante Google e praticamente impossível de competir. E é nesse novo cenário que nós consumidores, estrategistas, executivos de comunicação e tecnologia precisamos estar atentos. Ao desenvolver um ecossistema que agregue valor ao smartphone (centro desse universo), as empresas conseguem pelo menos aumentar sua retenção (obviamente dificultando novos entrantes) e ampliar a captura de dados (de uso, comportamento entre outros).

Muito se fala de inteligência artificial, mas a discussão muitas vezes não contempla uma questão básica: para se ter boas aplicações de inteligência artificial, é necessário que se tenha muitos dados.

Ou seja, ao criar um ecossistema de valor, as empresas conseguirão coletar mais e mais dados, e ao coletar mais e mais dados, poderão ter mais inteligência no processamento desses dados e, consequentemente, entender melhor seu consumidor, entregar mais valor e possibilitar comunicações mais assertivas.

Alguns exemplos que vi por aqui e que acho interessante (como a Apple não participa do MWC, não falarei do ecossistema da Apple):

. A Samsung possui uma linha de produtos e cada vez mais está fazendo com que esses produtos conversem entre si. O conceito de casa conectada usando geladeira conectada, ar-condicionado conectado, tudo controlado por um smartphone Samsung é bem interessante. E a Samsung utiliza o Android como sistema operacional, mas customiza boa parte dele, além de ter uma loja de aplicativos própria, parcerias próprias (Animojis da Disney no S9 por exemplo) e um sistema de pagamento Samsung Pay.

. A Motorola possui smartphones sem nenhuma customização do sistema operacional Android mas, ao mesmo tempo, criou uma linha de snaps mods (funcionam na linha de smartphones Z) que ao longo do tempo podem fazer diferença. Um deles que vi aqui em Barcelona foi o de saúde – Vital Moto Mod. Um snap para medir pressão, temperatura, batimento cardíaco e oxímetro.

Como disse o ex-CEO da Nokia Stephen Elop um tempo atrás (2007): “A batalha de dispositivos tornou-se uma guerra de ecossistemas, onde os ecossistemas incluem não só hardware e software do dispositivo, mas os desenvolvedores, os aplicativos de comércio eletrônico, publicidade, pesquisa, aplicativos sociais, serviços baseados em localização, comunicações unificadas e muitas outras coisas.”

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