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1 de março de 2018 - 15h28

Na primeira vez que visitei o congresso mundial da GSMA, em 1999, os  celulares ainda eram usados basicamente para falar. O evento ainda não tinha o pomposo nome de Mobile World Congress (MWC), ocorria num simpático balneário no Sul da França e contava com um público de cerca de 5 mil pessoas. De lá pra cá, vivemos a revolução dos smartphones, a explosão dos aplicativos e o crescimento vertiginoso das conexões móveis à internet. Tudo isso sustentado pelas novas gerações de redes móveis: primeiro, com o 3G e, agor,a com o 4G.

Neste período, o MWC se tornou um verdadeiro marco global da indústria de tecnologia, conteúdo e inovação, transformando Barcelona numa verdadeira Nações Unidas do mundo digital, com mais de 100 mil pessoas vindo dos mais diferentes cantos do planeta para debater o futuro da tecnologia e como esse futuro irá impactar a vida das empresas, das máquinas e, principalmente, das pessoas.

Barcelona recebe mais de 100 mil pessoas para o MWC (crédito: Sérgio Damasceno)

Em 2018, cinco principais temas estiveram presentes na maioria das conversas, nos estandes, reuniões e palestras do MWC:

. As redes móveis 5G permitirão a chamada “hiperconectividade”, prometendo trafegar instantaneamente qualquer quantidade de informações, em qualquer lugar, através de conexões sem fio. O 5G viabilizará o envio de vídeos 4K, controle de drones ou os carros autônomos. Com padrões já definidos, a promessa é que o 5G seja lançado em algumas cidades espalhadas pelo mundo no fim de 2018 e início de 2019. Porém, a grande questão do momento é quais serão as aplicações e os novos negócios que irão acelerar a adoção do 5G no mundo.

. Os novos devices e gadgets serão parte desta rede hiperconectada, conectando pessoas, máquinas e coisas. Como a comunicação entre as pessoas é cada vez mais visual, as novidades dos smartphones no MWC 2018 vieram principalmente nos displays e câmeras, como no caso do Galaxy S9, que foi apresentado no domingo antes do início da feira. Nenhum fabricante apresentou ainda equipamentos com a tecnologia 5G, e a promessa novamente é que os primeiros smartphones 5G cheguem ao mercado em 2019.

. A explosão da internet das coisas (IoT), conectando as máquinas à rede e permitindo o surgimento de cidades, casas e carros inteligentes. A expectativa é que 2018 seja o ano da explosão do IoT, porém novas preocupações em relação à privacidade e segurança das aplicações dominaram as discussões do tema

. Novos conteúdos e aplicações: Em 2023, espera-se que 75% do tráfego das redes móveis  serão de vídeos e todos estão buscando as novas soluções que irão fazer uso da hiperconectividade para criar os novos blockbuster apps. Algumas tecnologias que certamente estarão sendo usadas nestes aplicativos serão realidade aumentada, realidade virtual e, principalmente, o uso da personalização através do big data e da inteligência artificial

. A promessa e a realidade da inteligência artificial (IA): O tema mais badalado da feira, a inteligência artificial promete revolucionar os negócios e a experiência do consumidor, seja através dos assistentes pessoais de voz, chatbots, aplicações empresariais ou de marketing. É só lembrar que o Google mudou seu lema de “Mobile first” para “AI first”. Através de soluções de inteligência artificial, as empresas buscam melhorar o contexto, personalização, aumentar a relevância da suas mensagens e sua proatividade junto a seus consumidores, transformando o relacionamento e revolucionando a forma de fazer marketing. Uma grande promessa que ainda não está totalmente entregue: mais de 50% das pessoas nos Estados Unidos e Reino Unido por exemplo dizem que não usam um assistente pessoal digital porque não percebem qual seria a sua utilidade e outros 15% porque não conhecem. Ainda assim, alguns aprendizados ficaram claros em diferentes palestras e conversas na feira: construir confiança do consumidor nas soluções de IA, começando pequeno, treinando a sua IA para responder a comandos simples e com foco determinado parece ser um bom caminho inicial. E, a partir daí, evoluir para soluções mais complexas. Testar diferentes alternativas, canais de comunicação e focos de relacionamento através da IA, sem querer abraçar o mundo de uma só vez. Este foi o caminho adotado pela Oi, ao anunciar na feira seu chatbot no Twitter, a primeira experiência de uma operadora no Brasil de uso de IA na rede social.

Este lançamento da Oi faz parte da estratégia de transformação digital da companhia. O chatbot interage com os clientes em linguagem natural, identificando suas necessidades e provendo serviços para resolução de suas demandas do dia a dia. Inicialmente, o assistente interage via chat fornecendo informações para pagamento das contas (código de barras, valor e vencimento) dos produtos Banda Larga, Pós, Oi Total e Fixo, além de ajudar o cliente a lembrar a data de pagamento de suas contas. Novas funcionalidades serão incluídas no assistente virtual com base nas principais necessidades dos clientes, sempre com foco na solução efetiva das solicitações e na melhoria da experiência do cliente.

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  • Magnum Carvalho

    Apenas uma correção Roberto. A primeira experiência de uma operadora no Brasil de uso de IA na rede social não se faz neste lançamento. A Algar Telecom já utiliza esta tecnologia a algum tempo.

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