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21 de fevereiro de 2018 - 12h22

Nada melhor que começar o ano com um evento emblemático como o Mobile World Congress (MWC) que, em 2018, propõe aos mais de 100 mil visitantes de 208 países o tema “Criando um future melhor”. Mas será que tanta tecnologia, tantos palestrantes, CEOs, startups, investidores e empresas do ecossistema mobile estão mesmo preparados para criar um futuro melhor?

Neste ano, faz exatos dez anos que tive a curiosidade e oportunidade de participar do meu primeiro MWC. Naquela época, o evento se chamava GSMA World e mobile ainda era um tema essencialmente ligado ao mundo de tecnologia e telecom. Tenho certeza que muitos “curiosos” estavam lá para entender como o mobile poderia mudar nossas vidas e negócios. De lá para cá, o evento cresceu bastante, tanto em tamanho quanto em importância. As tecnologias evoluíram, algumas morreram, outras nasceram, mas a inovação sempre foi celebrada durante este congresso que é o maior encontro global da indústria mobile.

Pensei, então, em contar minhas expectativas sobre alguns temas que espero encontrar por lá:

1. Inteligência artificial aplicada a negócios — Todos sabemos do grande potencial da utilização da inteligência artificial para alguns serviços de automação, mas existem desafios claros de aplicação em diversos negócios, da necessidade de intervenção humana e de privacidade à regulamentação. Minha expectativa principal para este tema está relacionada ao fato de que, à medida que desenvolvemos mais e mais tecnologia capaz de auxiliar em tarefas de automação e inteligência de dados, ainda temos um longo caminho a ser percorrido para, efetivamente, vermos computadores e algoritmos funcionarem de forma eficaz e aprenderem a tomar decisões. Já existem alguns bons prognósticos e casos de sucesso, mas eu gostaria de ver mais casos “fora do laboratório”.

2. O crescimento dos objetos conectados (IoT – internet das coisas), avanços e desafios — Há alguns anos, grandes empresas de equipamentos de infraestrutura como Cisco, Juniper e Ericsson vêm anunciando um mundo com 30 bilhões de aparelhos conectados até 2020. Imagine a quantidade de dados gerados por todos esses objetos conectados e como podemos criar aplicações para nossas casas, meios de transporte e cidades. Minha expectativa é aprender mais sobre como este mundo de coisas conectadas podem impactar no dia a dia dos consumidores e criar oportunidades de negócios disruptivos.

3. Transparência no uso de dados, tanto para compra e segmentação de mídia quanto relacionado a privacidade — quem já não ouviu em alguma palestra “data is the new oil” ? Pois é, o mundo de big data cresce de forma acelerada, mas muito mais importante para todo o ecossistema é como estão sendo utilizados os dados angariados por tantos e tantos touch points de um mundo cada vez mais conectado. Recentemente, vimos dirigentes de grandes anunciantes informar, de forma bem explícita a grandes plataformas que vendem publicidade, para redefinirem suas prioridades em relação a seus “walled gardens” de dados e serem mais transparentes. Esse é um tema real não só para a publicidade, mas para toda a internet. Fraude é uma questão que levamos a sério na Mobile Marketing Association (MMA). Recentemente, lançamos um playbook sobre o tema de brand safety e, em breve, lançaremos um mais focado em privacidade e fraude. Todos com uma visão bem definida mesclando o ponto de vista de grandes anunciantes, empresas de tecnologia e diversos outros integrantes do ecossistema da comunicação e marketing.

4. O papel fundamental da conectividade 5G e seus desafios — À medida que as empresas avançam para a próxima geração de dispositivos móveis e a incorporação de mais inteligência, a indústria deve passar de uma abordagem baseada em silos verticais para uma plataforma horizontal. Essa será a verdadeira inovação. Como o core do MWC é telecom, acredito que veremos uma evolução cada vez maior sobre o tema de conectividade e o que representa para o ecossistema mobile.

5. Messaging como plataforma de marketing e relacionamento — em curva de crescimento exponencial, maior em mercados em desenvolvimento do que em praças maduras, o marketing baseado em comunidades instantâneas finalmente irá se profissionalizar. No início do ano, o WhatsApp lançou o aplicativo WhatsApp Business, que disponibiliza ao mercado ferramentas de troca de mensagens e estatísticas de métricas simples. Existem ainda diversas outras plataformas, como, por exemplo, o RCS do Google, que é, basicamente, uma evolução do SMS que já conhecemos, mas com recursos mais interativos e que, certamente, poderá inovar no mercado de messaging. Como o plano do Google é se aliar às operadoras, tenho certeza de que veremos aplicações inovadoras no MWC.

6. VR/AR impulsionando a criação e distribuição de conteúdo interativo — Recentemente, bati um papo com Ignacio Zuccarino, head of creative do Google Zoo, para um whitepaper que lançaremos em breve na MMA e gostaria de compartilhar um pouco do nosso bate-papo. “O mobile será, nos próximos anos, a condição indispensável para penetrar nos universos da VR e AR. E o que é o mobile? Certamente, não é o seu celular. Ele é apenas o meio móvel mais popular agora, mas logo será substituído. Em cinco anos, diferentes tipos de lentes formarão a maioria das plataformas móveis. De cinco a dez anos, carros também poderão ser a sua arma mobile escolhida. E, daqui a dez anos, talvez estejamos fazendo buscas e postando de nossas cabeças, graças a implantes neurológicos. Mobile se tornará o nosso próprio corpo. Atualmente, já é possível ver como dispositivos móveis e corpos humanos estão se fundindo em uma única coisa. Acredito que o mobile se transformará em seres humanos aumentados”. Dentro dessa temática, o Google concentra esforços no Daydream e no ArCore, sua plataforma voltada à realidade aumentada. Além disso, está apoiando a badalada startup norte-americana Magic Leap, que já levantou US$ 1,9 bilhão em investimentos de companhias gigantes e mostrou, em dezembro, uma versão inicial de seu aguardado dispositivo de AR.

7. O poder da voz e a impulsão do mercado de audio advertising — Podcasts. Streamings de música. Rádios online. Smart speakers de assistência doméstica. Carros conectados. O áudio digital viveu um boom em 2017 e tem tudo para se estabelecer, neste ano, como o canal mais novo e quente da atualidade. Em termos de consumo, passa por uma curva de crescimento no mundo inteiro. Relatório da XAPPmedia indicou que, de aproximadamente um bilhão de ouvintes globais de streaming, nove entre dez já preferem plataformas que veiculam propaganda. Em relação às rádios online, a expectativa é que, em 2019, a audiência nos EUA supere 191 milhões de ouvintes — o equivalente a 52% da população —, de acordo com o eMarketer.

8. Mobile payment e o futuro do dinheiro — Impulsionados pela necessidade de maior segurança nas transações virtuais, os mobile payments têm tudo, agora, para ganhar escala. Os smartphones já possuem recursos de segurança nativos, como autenticação por biometria, usados pelas lojas dos sistemas operacionais para garantir a veracidade de uma compra. E as empresas de tecnologia de pagamentos começam a oferecer sistemas avançados de gerenciamento da fraude digital. Eles cruzam um alto volume de dados, conseguindo identificar o comportamento do fraudador, em qualquer dispositivo ou localização.

9. Como o blockchain sera usado para revolucionar industrias além da financeira — o blockchain pode ser usado para inúmeros fins: autenticação de contrato, rastreio de shipping internacional, manutenção de equipamentos de alto custo, implementação de uma “health wallet” que centralize todo o histórico médico dos pacientes, com hospitais, clínicas e consultórios plugados. Dubai, por exemplo, está colocando tudo dentro do blockchain. Quando o cidadão precisa pedir um documento novo, ele é liberado na hora se suas informações já estiverem na rede. Na Holanda, um município pôs toda a gestão de bicicletas em um blockchain: as pessoas reportam roubos, a polícia é acionada e a seguradora também. Como a rede reconhece a autenticidade das informações, o dano é automaticamente coberto.

10. As evoluções relacionadas a Progressive Web Apps (PWA) e Accelerated Mobile Pages (AMP) — As PWAs já existem há mais de dois anos e poucas grandes empresas efetivamente a utilizam. Ao contrário das aplicações nativas, PWAs utilizam browsers tais como Chrome e Mozilla para oferecer uma experiência mais rica e engajadora com o usuário, tais como push notifications. O grande desafio é torná-las mais rápidas e eficientes em redes que ainda têm uma performance abaixo do esperado. Por conta disso, a conectividade 5G é um trunfo importante.

Tenho certeza de que teremos uma semana rica, de muito aprendizado e surpresas. Como já fazemos há alguns anos, lançaremos no dia 23 de março um Recap do Mobile World Congress trazendo diversos insights e entrevistas sobre os principais temas num evento exclusivos para associados da MMA e alguns convidados. Além dos temas acima mencionados, estou bastante empolgado para visitar o 4YFN (Four Years From Now), um evento paralelo ao MWC lançado há dois anos focado no ecossistema de startups e inovações, onde grandes empresas tais como Nestlé, Telefônica, Seat, KPMG, Airbus e outras se conectam com o mundo de startups.

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